Notícias

Pedro Guimarães pede demissão após denúncias de assédio sexual na Caixa

Ele foi denunciado por funcionárias da Caixa por assédio sexual; Bolsonaro nomeou Daniella Marques para o seu lugar

Da redação 29/06/2022 • 17:54 - Atualizado em 29/06/2022 • 19:11
Pedro Guimarães, presidente da Caixa, é demitido após denúncia de assédio sexual
Pedro Guimarães, presidente da Caixa, é demitido após denúncia de assédio sexual
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, oficializou seu pedido de demissão após denúncias de assédio sexual que teria cometido contra funcionárias do banco. A saída foi anunciada em carta aberta nesta quarta-feira (29) sob pressão do centrão ao presidente Jair Bolsonaro (PL) pela demissão. 

Para o lugar de Guimarães, o presidente Jair Bolsonaro (PL) nomeou Daniella Marques Consentino, ex-secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia e pessoa de confiança do ministro Paulo Guedes.

“Minha esposa, meus dois filhos, meu casamento de 18 anos e eu fomos atingidos por acusações feitas antes que se possa contrapor um mínimo de argumentos de defesa. É uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade”, disse Guimarães em seu comunicado de demissão. 

Ainda em seu anúncio, Pedro diz que decide se afastar de suas funções para "não prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral". Segundo ele, as acusações não são verdadeiras e não refletem a sua postura profissional e nem pessoal. (Leia abaixo) 

Na última terça-feira, o site Metrópoles divulgou relatos de mulheres sobre momentos de assédio durante o trabalho. As vítimas teriam contado que os assédios aconteciam, principalmente, durante viagens do programa Caixa Mais Brasil, criado por Guimarães para descentralizar a gestão. Desde janeiro de 2019, foram feitas mais de 140 viagens.

Secretária substituirá Guimarães

A Band também apurou que Daniella Marques será quem substituirá Guimarães na presidência da Caixa. A informação foi confirmada pelo ministro Paulo Guedes, da Economia, ao repórter Valteno de Oliveira.

Desde fevereiro, ela chefia a Secretaria de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia. A fonte ouvida pela reportagem relatou que a secretária é muito bem vista pelo governo.

Nos bastidores, fontes destacam que Daniella é bem vista pelo governo, sobretudo por ser o braço direito de Guedes. Devido à má repercussão das denúncias contra Guimarães no eleitorado feminino, aliados de Bolsonaro tinham preferência por uma mulher no comando do banco.

Oposição quer convocar Guimarães

Mais cedo, a oposição protocolou um pedido de convocação do gestor da Caixa para que preste informações sobre as denúncias na Comissão de Direitos Humanos do Senado. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a audiência será fundamental para a proteção das mulheres.

O requerimento ainda será votado em uma reunião da CDH. Se aprovado, o presidente da Caixa terá que comparecer à comissão para prestar esclarecimentos.

Caixa e sindicato divulgam notas

Ainda na última terça-feira (28), a Caixa divulgou nota em que disse não ter conhecimento das denúncias. O banco informou que adota medidas contra condutas relacionadas a qualquer tipo de assédio.

Quem também se manifestou sobre as denúncias contra Guimarães foi o Sindicato dos Bancários de Brasília, que divulgou nota de repúdio nesta quarta. A entidade disse que o comportamento é repugnante e pediu punição exemplar, caso as investigações do Ministério Público Federal (MPF) confirme o assédio sexual.

“O Sindicato se solidariza com as bancárias vítimas dessa conduta condenável do presidente da Caixa e disponibiliza a elas (e a quem precisar) toda a sua estrutura – principalmente jurídica –, tanto como apoio especializado como para a adoção das providências que se fizerem necessárias”, diz o texto do sindicato.

Leia a íntegra da carta de demissão 

“À população brasileira e, em especial, aos colaboradores e clientes da CAIXA:

A partir de uma avalanche de notícias e informações equivocadas, minha esposa, meus dois filhos, meu casamento de 18 anos e eu fomos atingidos por diversas acusações feitas antes que se possa contrapor um mínimo de argumentos de defesa. É uma situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade.

Foi indicada a existência de um inquérito sigiloso instaurado no Ministério Público Federal, objetivando apurar denúncias de casos de assédio sexual, no qual eu seria supostamente investigado. Diante do conteúdo das acusações pessoais, graves e que atingem diretamente a minha imagem, além da de minha família, venho a público me manifestar.

Ao longo dos últimos anos, desde a assunção da Presidência da CAIXA, tenho me dedicado ao desenvolvimento de um trabalho de gestão que prima pela garantia da igualdade de gêneros, tendo como um de seus principais pilares o reconhecimento da relevância da liderança feminina em todos os níveis da empresa, buscando o desenvolvimento de relações respeitosas no ambiente de trabalho e por meio de meritocracia.

Como resultados diretos, além das muitas premiações recebidas, a CAIXA foi certificada na 6ª edição do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), além também de ter recebido o selo de Melhor Empresa para Trabalhar em 2021 – Great Place To Work®?, por exigir de seus agentes e colaboradores, em todos os níveis, a observância dos pilares Credibilidade, Respeito, Imparcialidade e Orgulho.

Essas são apenas algumas das importantes conquistas realizadas nesse trabalho, sempre pautado pela visão do respeito, da igualdade, da regularidade e da meritocracia, buscando oferecer o melhor resultado para a sociedade brasileira em todas as nossas atividades.

Na atuação como Presidente da CAIXA, sempre me empenhei no combate a toda forma de assédio, repelindo toda e qualquer forma de violência, em quaisquer de suas possíveis configurações. A ascensão profissional sempre decorre, em minha forma de ver, da capacidade e do merecimento, e nunca como qualquer possibilidade de troca de favores ou de pagamento por qualquer vantagem que possa ser oferecida

As acusações noticiadas não são verdadeiras! Repito: as acusações não são verdadeiras e não refletem a minha postura profissional e nem pessoal. Tenho a plena certeza de que estas acusações não se sustentarão ao passar por uma avaliação técnica e isenta.

Todavia, não posso prejudicar a instituição ou o governo sendo um alvo para o rancor político em um ano eleitoral. Se foi o propósito de colaborar que me fez aceitar o honroso desafio de presidir com integridade absoluta a CAIXA, é com o mesmo propósito de colaboração que tenho de me afastar neste momento para não esmorecer o acervo de realizações que não pertence a mim pessoalmente, pertence a toda a equipe que valorosamente pertence à CAIXA e também ao apoio de todos as horas que sempre recebi do Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Junto-me à minha família para me defender das perversidades lançadas contra mim, com o coração tranquilo daqueles que não temem o que não fizeram.

Por fim, registro a minha confiança de que a verdade prevalecerá.