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Quem são os pastores alvos da operação que prendeu o ex-ministro Milton Ribeiro?

Pastor Gilmar Santos dirige instituição que forma líderes evangélicos, e o pastor Arilton Moura já foi secretário de governo no Pará

Édrian Santos 22/06/2022 • 12:55 - Atualizado em 22/06/2022 • 15:17

O escândalo sobre repasses do Ministério da Educação culminou na prisão do ex-ministro Milton Ribeiro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura Correia. Mas quem são os líderes de igrejas evangélicas alvos da operação deflagrada nesta quarta-feira (22) pela Polícia Federal (PF)?

A reportagem da Band foi atrás de informações sobre os suspeitos de participarem de esquema envolvendo repasses irregulares do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Investigações apontam que Gilmar e Arilton facilitavam o acesso de dinheiro público para prefeituras próximas a eles.

O pastor Gilmar

Natural de São Luís (MA), Gilmar é ativo nas redes sociais. No perfil de uma delas, ele destaca que prega o evangelho há 40 anos, além de ser presidente do Ministério Cristo para Todos, da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil (CONIMADB) e diretor de uma instituição (ITCT Teologia) focada em formar líderes evangélicos.

Quando o escândalo veio à tona, em meados de março, as instituições vinculadas a Gilmar publicaram nota em defesa dele. Na ocasião, a CONIMADB, em texto assinado pelo próprio pastor, chamou as acusações de “levianas” e negou a atuação dele sobre supostas propinas no MEC.

Atualmente, Gilmar mora em Goiânia (GO), onde é pastor na igreja Ministério Cristo para Todos. O número de seguidores em duas redes sociais do líder religioso ultrapassa 300 mil.

Vídeos publicados por Gilmar nas redes sociais mostram que ele liderava um culto na noite da última terça-feira (21). Na manhã de hoje, o pastor foi preso pela PF na operação “Acesso Pago”.

Quem é Arilton?

Ao contrário de Gilmar, Arilton não é ativo nas redes sociais. Em postagem feita numa plataforma de fotos do Palácio do Planalto, ele é apontado como pastor da Igreja Assembleia de Deus de Missão de Todos os Santos, ocasião em que se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro (PL) no dia 25 de abril de 2019.

Em uma rede social, há uma foto de Arilton na composição da mesa do extinto PHS, partido incorporado, hoje, pelo Podemos. Ainda no campo político, em maio de 2020, o boletim administrativo da Câmara anunciou a nomeação do pastor num cargo no gabinete do líder do MDB.

Em agosto de 2018, foi publicada a nomeação de Arilton para comandar a Secretaria Extraordinária de Estado para Integração de Ações Comunitárias do Pará, no então governo de Simão Jatene (PSDB). Em novembro, o Diário Oficial do Estado anunciou a exoneração do pastor.

Em 2020, o atual ministro da Educação, Victor Godoy Veiga, tentou nomear o pastor Arilton para um cargo comissionado no MEC. A solicitação foi rejeitada no mês seguinte pela Casa Civil. 

À época da indicação, Veiga atuava como secretário-executivo do Ministério da Educação, onde o pastor lobista seria alocado.

Entenda

Durante a manhã, a PF deflagrou uma operação envolvendo favorecimento de municípios que negociavam verbas diretamente com dois pastores. Em áudios divulgados em março, o então ministro dizia que a “priorização” de determinadas prefeituras seria um pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O mandado de prisão preventiva repassado à Band aponta prática de tráfico de influência (2 a 5 anos de reclusão), corrupção passiva (2 a 12 de anos de reclusão), prevaricação (3 meses a 1 ano de detenção) e advocacia administrativa (1 a 3 meses de detenção). Documentos apreendidos destacam ação criminosa na liberação de verbas públicas.

5 mandados de prisão

A PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e 5 de prisão em Goiás, São Paulo, Pará, além do Distrito Federal. Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura estão entre os presos. Outas medidas cautelares, como proibição de contatos entre os investigados e envolvidos, também foram efetuadas.

Arilton Moura e Gilmar Santos não possuem cargos no Ministério da Educação. Na época em que o áudio vazou, Ribeiro negou, em nota, o suposto pedido feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação ao atendimento preferencial às lideranças religiosas.