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Batalhão da PM foi usado para encontro de suspeitos de assassinato de advogado

Na segunda-feira (1º), Justiça do Rio prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária dos três suspeitos

Por Pedro Dobal

Batalhão fica em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense
Batalhão fica em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense
Reprodução/Google Maps

A Polícia Civil acredita que os três suspeitos presos por envolvimento no assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, na porta da OAB, no Centro do Rio, tenham se encontrado pelo menos duas vezes no Batalhão da Polícia Militar em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O PM Leandro Machado da Silva, que teria coordenado a logística do crime, era lotado na unidade.  

Um relatório da Delegacia de Homicídios da Capital aponta que os dois suspeitos de monitorar a rotina da vítima estiveram no batalhão no dia 1º de fevereiro, três semanas antes do crime, por cerca de 20 minutos. Eduardo Sobreira Moraes e Cézar Mondêgo de Souza estacionaram na rua onde o carro usado por Leandro também estava parado. 

Dois dias depois da execução, a dupla voltou à unidade no mesmo Gol branco usado no monitoramento do advogado. Imagens de câmeras de segurança mostram que eles estacionam o carro às 8h47, Cézar desce do veículo, entra no batalhão, se encontra com um homem que os investigadores acreditam ser Leandro e vai embora minutos depois. Neste dia, o carro usado pelo policial também estava no local.  

Na segunda-feira (1º), a Justiça do Rio prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária dos três suspeitos. A decisão destacou que eles agiram de forma coordenada e que, se fossem soltos, poderiam atrapalhar a investigação.

O advogado de Leandro, Diogo Macruz, defende que a manutenção da prisão foi uma medida exagerada.

Os demais suspeitos também negam participação no crime.  

Procurada, a Polícia Militar disse que não foi comunicada oficialmente sobre o relatório da Delegacia de Homicídios e que vai instaurar um procedimento apuratório assim que for notificada. A corporação destacou que não compactua nem tolera desvios de conduta ou crimes cometidos pelos agentes e lembrou que Leandro já responde a um procedimento que pode levar à expulsão da PM. 

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