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Família de ex-militar morto em operação afirma que ele era inocente

Segundo os parentes, Douglas Costa Donato, de 23 anos, estava voltando de moto para casa de um aniversário e teria sido atingido por três tiros

Gabriela Morgado 27/05/2022 • 20:00

A família do ex-militar da Marinha que morreu em uma operação na Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio, afirma que ele era inocente. Segundo os parentes, Douglas Costa Donato, de 23 anos, estava voltando de moto para casa de um aniversário e teria sido atingido por três tiros. 

A mãe de Douglas, Patrícia Costa, saiu de casa para procurar por ele na manhã de terça-feira (24), mas Douglas só foi encontrado cerca de sete horas depois, na mata, ao lado de outros mortos. O corpo dele foi levado para o hospital por moradores.

A Marinha informou que Douglas foi licenciado do serviço ativo em fevereiro de 2021. Patrícia conta que o filho fez 23 anos no último sábado (21), e deixou um bebê de dois meses e a esposa. Segundo ela, Douglas trabalhava em uma loja de sapatos na Penha e participou do primeiro dia de um curso para vigilantes na segunda-feira (23).

Douglas é um dos 23 mortos na operação das Polícias Militar e Rodoviária Federal na comunidade. Após a ação, a PM afirmou que todos que morreram no local, com exceção de uma cabelereira, eram suspeitos e estavam em confronto com a polícia. Segundo a Polícia Militar, a ação foi realizada para impedir o deslocamento de bandidos para a Rocinha, na Zona Sul.

As circunstâncias da operação são investigadas pela Polícia Civil. A PM disse que a Corregedoria acompanha e colabora com os procedimentos.

Três feridos ainda estão internados, um deles custodiado.

O Ministério Público pediu que o comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais envie um documento com a averiguação dos fatos e indique os agentes responsáveis pelas mortes, além de ter recomendado que a Delegacia de Homicídios apreenda as armas dos agentes envolvidos para perícia. A Defensoria Pública também solicitou às autoridades que esclareçam a motivação da operação. Questionado, o MP disse que o prazo dado ainda está vigente. Os outros órgãos não informaram se as informações já foram prestadas.