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Obras do teleférico do Alemão estão atrasadas pela presença de PMs nas estações

O local foi utilizado provisoriamente por policiais militares após um incêndio na Unidade de Polícia Pacificadora da região

Por Pedro Dobal

Complexo do Alemão
Complexo do Alemão
Rafael Campos/ Governo do Rio

A reforma das estações do teleférico do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, foi dificultada pela utilização provisória dos espaços por policiais militares após um incêndio na Unidade de Polícia Pacificadora da região.

Segundo uma nota técnica da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas, a presença dos agentes atrasou as obras em três das seis estações: Alemão, Itararé e Palmeiras. O documento destaca que a realização dos serviços depende da disponibilização das áreas, incluindo salas e banheiros que estão sendo usados de forma contínua pelas forças policiais.

O relatório também diz que há um fluxo intenso de PMs nos locais, além de motos e carros estacionados dentro das áreas de circulação, o que dificulta os trabalhos e compromete a segurança das instalações.

Imagens feitas durante uma vistoria mostram espaços ocupados por colchões, armários, beliche, geladeira, fogão e botijão de gás.  

A pasta ainda alega que, mesmo quando o serviço é realizado, os policiais voltam para as áreas e muitas vezes fazem alterações não previstas no projeto, resultando em um "ciclo contínuo de retrabalhos".

A Comissão de Fiscalização do contrato pediu que a Secretaria de Segurança Pública apresente um cronograma detalhado para a retirada das equipes da Polícia Militar. Procurada, a pasta disse que não recebeu o documento. Já a PM disse que ocupou as estações para garantir a preservação da estrutura e que bastaria a empresa encarregada da obra entrar em contato com a corporação.

Enquanto isso, muitos moradores dependem de kombis e mototáxis ou precisam se deslocar a pé. A recepcionista Rhomeika Medeiros mora a poucos metros de uma das estações, mas chega a levar meia hora para descer o morro.

O teleférico do Alemão foi inaugurado em 2011, mas está fechado desde 2016.

Como o prazo para o fim das obras termina no domingo (7), um novo termo aditivo deve ser firmado nos próximos dias prorrogando os trabalhos em três meses, até 7 de julho. A promessa inicial era terminar os reparos em janeiro do ano passado, mas o prazo já foi adiado outras quatro vezes. A reforma das estações custou quase R$ 25 milhões.

O Governo do Estado ainda está realizando a contratação, sem licitação, da empresa francesa que vai recuperar o sistema de operação do teleférico, incluindo o cabo que sustenta as gôndolas. O serviço está estimado em quase R$ 100 milhões, e o prazo previsto é de 345 dias.  

A empresa foi escolhida por ser a única fornecedora dos equipamentos. A pasta entendeu que recuperar o sistema já existente era mais vantajoso do que construir um novo teleférico.

Já o teleférico do Morro da Providência, que é de responsabilidade da Prefeitura, deve ser reaberto ao público ainda neste mês, segundo a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos. Inicialmente, a operação vai ser feita pela empresa austríaca que instalou o equipamento. Depois, uma licitação vai definir o operador do sistema.

No mês passado, o prefeito Eduardo Paes chegou a anunciar que o teleférico voltaria a funcionar em até 15 dias, prazo que termina nesta sexta-feira (5). 

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