Masterchef

O jogo virou! Depois de servir porco cru em 2016, Adriana volta e vence o MasterChef 2020

Stefani Sousa 08/10/2020 • 00:51 - Atualizado em 08/10/2020 • 01:24
Adriana vira o jogo e vence o MasterChef Brasil
Adriana vira o jogo e vence o MasterChef Brasil
Carlos Reinis/Band

Dar a volta por cima e se reinventar é a especialidade da cozinheira amadora Adriana, 50 anos, que venceu o 13º episódio do MasterChef Brasil, exibido pela Band nesta quarta-feira, 7. Estar na cozinha do talent show não foi novidade para a catarinense, que participou da disputa em 2016, na 3ª temporada e foi eliminada após servir porco cru. Na época, os chefs Henrique Fogaça e Paola Carosella se recusaram a experimentar o prato, mas, desta vez, ela se consagrou vencedora nas duas provas da noite e foi bastante elogiada nas receitas de cação com creme de espinafre e nhoque ao molho de queijo e shitake. 

De personalidade marcante, a dona de casa chegou na cozinha com a certeza de que sairia vencedora. Para ela, estar no programa foi um desafio pessoal e repleto de significados. “Nunca acreditei em mim mesma, cresci sem autoestima e, quando cheguei aqui pela primeira vez, minha falta de confiança era nítida. Nesta segunda chance, me preparei e tinha completa certeza de que venceria. Não é soberba, mas me senti merecedora. De agora em diante, vou lutar e buscar tudo aquilo que quero e acredito”, disse em entrevista ao Portal da Band

A campeã conta ainda que, quando passou pelas seletivas do MasterChef pela primeira vez, foi somente para mostrar aos filhos que ela não era capaz. Não à toa, se esforçou pouco e ouviu da chef Paola Carosella que seu desempenho ruim era de propósito, para não avançar na competição. Quatro anos depois, ela explica que seus objetivos mudaram e que está vivendo um momento de redescoberta. “Fui criada pra casar, independentemente de estar em uma relação boa ou ruim e cresci achando que a minha função era criar os meus filhos. Por causa deles, fiz muitos sacrifícios, mas um dia todos cresceram e o microondas passou a ter mais função do que eu”, lamenta. 

Foi na mesma época em que, divorciada, sem trabalho ou formação, passou a repensar a forma como vivia. “Sempre achei que envelhecer seria muito difícil para mim. Eu acreditava que, aos 50 anos, as pessoas deveriam morrer enquanto estavam bem, mas, quando completei essa idade, me senti plena. O mercado mostra a felicidade como sendo a juventude, mas precisamos achar beleza em outras coisas. Para mim, os últimos meses serviram para trabalhar questões internas e perceber que uma pessoa na minha idade é ativa, tem cérebro e experiência de vida. Não estou morta e sou um ser pensante.”  

Prestes a ser avó pela primeira vez, Adriana aproveita o momento para descobrir o que pretende fazer na gastronomia e garante que, após muitas transformações, a idade que tanto a assombrou hoje é só um detalhe. “Vivemos em um mundo muito competitivo, mas tenho sim condições de entrar no mercado de trabalho”, garantiu. “Depois de me mudar de São Paulo, estou morando em Joinville (SC) e ainda não tenho casa, durmo no sofá do meu irmão, mas costumo dizer que não preciso ficar confortável. É o meu desconforto que me faz correr atrás.”

Com o troféu do MasterChef Brasil nas mãos e muitas possibilidades em aberto, a catarinense começa a desenhar com o que pretende trabalhar e sabe que reeducação alimentar e produtos orgânicos com certeza estarão no pacote. “As pessoas se alimentam muito mal e, com a rotina corrida, é difícil ir para o fogão preparar algo. Penso em um negócio que me permita levar o alimento do produtor ao consumidor com um bom preço e que, de alguma forma, transforme a relação das pessoas com a comida. Hoje em dia é importante entender o que você está comendo e como isso afeta o seu corpo.”

Vencer o programa foi a realização da primeira de uma lista de metas que Adriana traçou nos últimos meses. “Essa conquista eu dedico a mim mesma”, celebrou, por fim, recordando da menina que começou a cozinhar aos 5 anos na barra da saia da tia, sem conseguir nem mesmo alcançar a altura do fogão e, mais de quatro décadas depois, resgata esse amor para fazer seus sonhos se tornarem realidade. “Eu tive medo, mas me joguei. Cozinhar, para mim, é me doar em um ato de amor”, disse. Vai com tudo, Adriana!