Jornal da Band

Espera de Mendonça por sabatina no Senado tem tempo recorde: 93 dias

Davi Alcolumbre está há mais de três meses com a indicação de Bolsonaro ao STF na mesa do CCJ do Senado

Caiã Messina, do Jornal da Band 13/10/2021 • 20:30 - Atualizado em 13/10/2021 • 22:39

O ex-ministro da Justiça André Mendonça, indicado para o Supremo, espera pela sabatina no Senado há 93 dias, um recorde.

Na cidade onde Mendonça nasceu, no interior de São Paulo, o presidente Bolsonaro, que é de um município vizinho, adotou um tom otimista.

“Se Eldorado tem um presidente, se Deus quiser, brevemente, Miracatu terá um ministro do Supremo Tribunal Federal”, disse.

Esse otimismo não se repete em conversas reservadas. Bolsonaro tem manifestado irritação com a demora na sabatina. Ele disse a ministros do Planalto que se sente traído pelo presidente da CCJ.

Davi Alcolumbre está há mais de três meses com a indicação na mesa, e se recusa a marcar a data da sabatina. É o maior atraso da história recente do Congresso e do tribunal.

Antes de Mendonça, que já aguarda desde 13 de julho, o recorde tinha sido de Edson Fachin (14/04/2015 - 19/05/2015, 36 dias), durante o governo Dilma Rousseff, seguido por Nelson Jobim (07/03/1997- 04/04/1997, 28 dias), com Fernando Henrique Cardoso e Eros Grau (12/05/2004 - 08/06/2004, 27 dias), na administração Lula.

O senador Flávio Bolsonaro (Patriora-RJ) está tentando uma reunião entre o pai e Alcolumbre. O presidente da CCJ já chegou a dizer nos bastidores que vai marcar a sabatina só para 2023.

Alcolumbre estaria cobrando emendas parlamentares e nomeações prometidas e não cumpridas. Nesta quarta (13) o senador divulgou nota e afirmou que não condiciona o mandato à “troca de favores políticos” e frisou: não aceitará ser chantageado ou ameaçado por quem quer que seja.

Enquanto a queda de braço persiste, o STF está com 10 ministros. Pelo menos um julgamento terminou empatado e foi suspenso, à espera do 11º integrante.

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