Jornal da Band

Defesa de general que teria oferecido tropas para golpe não descarta delação

Em depoimento à PF, general Estevam Theophilo disse que se reuniu com Bolsonaro para tratar minuta de estado de sítio por ordem do ex-comandante do Exército

Da redação

O general Estevam Theophilo é suspeito de ter colocado tropas à disposição para um possível golpe de Estado e para prender o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No depoimento colhido semana passada, o militar disse que só participou da reunião que discutiu uma minuta de estado de sítio, com o então presidente Jair Bolsonaro (PL), por ordem do comandante do Exército à época, o general Freire Gomes.

Theophilo também alegou que seria insubordinação se não tivesse acatado a demanda e que cumpriria ordens de Bolsonaro, pois "respeita hierarquia".

A defesa de Theophilo não descarta fechar um acordo de delação premiada para evitar a prisão do militar. As revelações sobre o depoimento vêm à tona no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) deflagrou mais uma fase da Operação Lesa Pátria, com foco nos financiadores dos ataques de 8 janeiro.

Operação Lesa Pátria

Foram cumpridos 34 mandados, em sete estados e no Distrito Federal, dos quais 24 foram de busca e apreensão e três de prisão preventiva contra empresários, Diogo Arthur Galvão, dono de uma madeireira, e Adauto Lucio de Mesquita e Joveci Xavier de Andrade, sócios de uma rede de supermercado varejista. Outras Sete pessoas tiveram que colocar tornozeleira eletrônica.

A Procuradoria Geral da República (PGR) foi contra a detenção, mas Moraes atendeu o pedido da PF. Segundo as investigações, os investigados teriam ajudado a financiar o acampamento na porta do quartel do Exército, em Brasília.

A defesa dos sócios da rede varejista reconhece que os suspeitos contribuíram para a estrutura do acampamento, mas nega que tinham conhecimento de um plano para invadir as sedes dos três poderes.

Para a investigação, não há dúvidas de que os ataques às sedes dos três poderes, em 8 de janeiro de 2023, foram planejados a partir do acampamento de bolsonaristas, assim como o que ocorreu à sede da PF, em dezembro de 2022, dia da diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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