Jornal da Band

Em 2 anos, guerra na Ucrânia tem avanço russo e recuo na ajuda ocidental a Kiev

Quanto ao número de mortos, tanto a Rússia como Ucrânia guardam as informações trancadas a sete chaves

Da redação

A guerra entre Ucrânia e Rússia completa dois anos neste sábado (23). É um momento do conflito em que o apoio do Ocidente para Kiev diminuiu, enquanto Moscou retomou a ofensiva. Líderes mundiais relembraram a data em cerimônia com Volodymyr Zelensky.

Lozuvatka é uma pequena vila no centro da Ucrânia, separada da linha de frente da guerra com o exército russo por apenas 100 km. Cenas de esposas com os filhos no cemitério da região são comuns, pois lá há soldados enterrados que morreram em combate. Pela Europa, mais de 14 milhões de ucranianos viraram refugiados.

No lado russo, os moradores da cidade de Belgorod, na fronteira, convivem com o medo da incerteza dos bombardeios.

“Fico nervosa quando tudo está em silêncio. O silêncio me irrita porque a gente sabe que a qualquer dia as explosões podem chegar”, disse uma moradora.

Mortes

Nesses dois anos de guerra, os bombardeios em ambos os lados são incontáveis. Cidades inteiras foram destruídas. Só do lado russo, foram mais de 12 mil ataques, uma média de 17 mísseis lançados por dia. Esta é a guerra mais destrutiva, na Europa, desde 1945.

Não há mais espaço para enterrar as vítimas desse conflito. O número de mortes é um segredo guardado a sete chaves pelos dois lados. Só se sabe que são milhares, de ambos os lados.

A vantagem russa

Em fevereiro de 2022, a Rússia prometia tomar a capital ucraniana, Kiev, em poucos dias. Na época, só a região da Crimeia era anexada pelos russos. O tempo mostrou que não era tão fácil quanto parecia. A resistência se mostrou eficaz. Vladimir Putin precisou recalcular a rota.

No primeiro ano de conflito, a ofensiva russa surtiu efeito. Cidades como Kherson, Kharkiv e Mariupol foram totalmente dominadas. No último ano, Moscou partiu para um confronto terrestre e passou a dominar cerca de 20% do território ucraniano.

Em 2023, a contraofensiva ucraniana deu resultado. Mais de 3 mil km² foram recuperados por Kiev. No perde e ganha de território, hoje, a balança pesa para a Rússia. Os russos voltaram à ofensiva.

Na última semana, os soldados russos dominaram duas cidades: Avdiika e o povoado de Pobeda. Isso deixa Moscou mais perto de controlar a região de Donetsk.

Em 24 de fevereiro de 2022, Putin anunciava o início de uma operação militar especial na Ucrânia. Citava a necessidade de proteger os russos e “desnazificar” o país vizinho.

Apoio ocidental

Na presença de líderes ocidentais que deixaram flores em homenagem aos mortos pelo conflito, Zelensky disse que a guerra só acaba com a vitória da Ucrânia. Por outro lado, sabe que, para ter uma chance, precisa de mais ajuda dos aliados.

Os Estados Unidos, porém, pisaram no freio com o último pacote de ajuda. O Congresso emperra a doação do equivalente a R$ 300 bilhões em apoio bélico a Kiev. O único sinal do presidente Joe Biden, nos últimos dias, foi o anúncio de mais sanções à Rússia, considerado pouco para conter o avanço das tropas de Moscou.

Investimento em tecnologia

Com falta de material humano para as trincheiras, Ucrânia e Rússia sabem que a tecnologia fará a diferença no terceiro ano de guerra. Os dois países investem pesado em drones para aumentarem o poder de artilharia em 2024.

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