Jornal da Band

Entenda o esquema da PF para ouvir Bolsonaro e 23 suspeitos de golpe de Estado

PF usou uma estratégia surpresa para ouvir simultaneamente os 23 intimados desta quinta-feira (22), de maneira que as versões pudessem ser confrontadas imediatamente

Da redação

Foi um dia histórico em Brasília. Pela primeira vez, um ex-presidente, três generais, um almirante e várias autoridades foram obrigados a depor na Polícia Federal (PF) ao mesmo tempo. Todos são suspeitos de participarem de uma tentativa de golpe de Estado.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou pouco antes do horário marcado e saiu meia hora depois. Por orientação dos advogados, recusou-se a responder a perguntas.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou três pedidos para adiar o depoimento de Bolsonaro. A defesa alega que não teve acesso a todos os documentos do inquérito que investiga uma tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022.

“A falta de acesso a esses documentos, especialmente as declarações do tenente-coronel Mauro Cid, e as mídias eletrônicas obtidas dos telefones celulares de terceiros e computadores impedem que a defesa tenha o mínimo conhecimento sobre quais elementos o presidente é hoje convocado a esse depoimento”, pontuou o advogado Paulo Bueno, da defesa de Bolsonaro.

Depoimentos em 8 estados e DF

A PF intimou 24 suspeitos para deporem, dos quais 23 foram ouvidos só nesta quinta-feira (22). Em Brasília, entre os intimados, além de Bolsonaro, estavam três generais ex-ministros: Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira. 

Somam-se aos que foram ouvidos em Brasília: o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e Marcelo Câmara e Tércio Arnaud, ambos assessores de Bolsonaro. Já Filipe Martins, ex-assessor internacional, foi intimado para depor em Curitiba.

Também foram intimados quatro investigados no Rio de Janeiro, dois em São Paulo e um em Minas Gerais, Mato Grosso Do Sul e Espírito Santo.

Nesta sexta-feira (23), o general Estevam Theophilo, suspeito de disponibilizar tropas do Exército para um golpe, deve depor em Fortaleza.

Estratégia da PF

A PF usou uma estratégia surpresa para ouvir simultaneamente os 23 intimados. Mesmo em salas separadas, os delegados puderam se comunicar. Assim, a versão de um investigado podia ser imediatamente confrontada com a de outro. Por outro lado, tal como Bolsonaro, vários depoentes ficaram calados.

O que disse Costa Neto

Dos 23 chamados, 16 ficaram em silêncio e sete decidiram responder perguntas. Entre os que falaram, estão Torres e Costa Neto. O presidente do PL disse que Bolsonaro nunca tratou de golpe com ele, mas ouvia falar sobre isso dentro do governo, e nunca levou a sério.

Silêncio de Braga Netto e Augusto Heleno

Braga Netto e Augusto Heleno ficaram em silêncio. Nos bastidores, havia uma preocupação especial com a postura dos dois. O ex-vice de Bolsonaro está isolado, enquanto o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) poderia mirar artilharia contra o ex-presidente, jogar a culpa no comandante supremo das Forças Armadas.

Com vários generais e oficiais sob suspeita, o Exército chegou a preparar salas em quartéis para o caso de alguma prisão em flagrante por desacato, por exemplo, o que não ocorreu.

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