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Lavagem de dinheiro: PCC usava corretora de bitcoin e esquema de pirâmide

Da Redação 14/08/2020 • 19:23 - Atualizado em 14/08/2020 • 19:46
Investimento em bitcoins era usado pela facção para maquiar o dinheiro do crime
Investimento em bitcoins era usado pela facção para maquiar o dinheiro do crime
Dmitry Demidko/Unsplash

Mais detalhes sobre a investigação que apura um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro usado pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Na segunda reportagem do Jornal da Band, Rodrigo Hidalgo mostra que o dinheiro do crime passava até pelo sistema financeiro.

Os investigadores apontaram o envolvimento de uma corretora de criptomoedas. Nos últimos anos, a corretora recebeu de mais de R$ 300 milhões antes de entrar em recuperação judicial. O valor seria fruto de um esquema de pirâmide financeira utilizando bitcoin.

A relação com o nome dos investidores surpreendeu a polícia. Na lista de investidores estão suspeitos de tráfico de drogas, além de advogados, políticos e empresários. Há também pessoas com volumes de aplicações que são incompatíveis com seus rendimentos.

A polícia apura se o esquema teria sido usado para esquentar dinheiro do narcotráfico internacional.

“Esquemas dessa natureza servem não só para investir, mas para muitas pessoas para esconder o dinheiro, até pela falta de regulação. Muitas vezes para lavar dinheiro, ou sonegar impostos, você faz essa maquiagem em investimento e consegue uma justificativa que tem origem ilícita”, explica o advogado à reportagem.

André do Rap

Com o esquema, criminosos ostentavam uma vida de luxo, com mansão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, lanchas e helicópteros. André de Oliveira Macedo, o André do Rap, mantinha essa fortuna proporcionada pelo tráfico internacional de drogas. Responsável pelo envio de toneladas de cocaína para a Europa, ele está preso desde o ano passado.

Além do uso de criptomoedas, o inquérito da Polícia Civil investiga um amplo esquema de lavagem de dinheiro do narcotráfico na Baixada Santista por pessoas ligadas à André. Uma delas seria um jovem empresário responsável por festas e eventos no litoral. Parentes de Fredy Silva Bento também fariam parte do esquema, usando restaurantes, lojas de roupa e até mesmo uma ONG que cuida de crianças carentes. O empresário nega as acusações.

Mesmo condenado em primeira instância – André do Rap pode ser solto no mês que vem por causa da lentidão da Justiça Federal que mantém o bandido na cadeia com base em prisões preventivas. Ou seja, os prazos e as condenações do chefão do PCC precisam andar.

“[Espero] que os tribunais superiores mantenham a prisão do narcotraficante porque sua soltura seria um duro golpe no combate ao tráfico internacional de entorpecentes no País”, pontua o promotor de Justiça Lincoln Gakiya.

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