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Rabino: Quanto mais Israel avança em Rafah, mais afasta seus aliados

Chefe da política externa da União Europeia advertiu que as relações sofrerão "forte tensão"

Por Moises Rabinovici

Imagem de arquivo do Exército de Israel
Imagem de arquivo do Exército de Israel
REUTERS/Amir Cohen/File Photo

Quanto mais Israel avança em Rafah, mais afasta seus aliados. O chefe da política externa da União Europeia, Josep Borrel, advertiu, nesta quarta-feira, que as relações sofrerão “forte tensão”. O Egito recua da paz, iniciativa histórica de Anuar Sadat em 1977, pela qual foi assassinado, e apoia a África do Sul no processo de genocídio no tribunal de Haia. O Catar não está conseguindo mais reavivar as negociações de troca de reféns e cessar-fogo. E o governo americano repete que não adianta nenhuma nova ofensiva em Gaza que não tenha um plano para o dia seguinte que responda: quem vai administrar a vida de mais de 2,5 milhões de palestinos em suas cidades arrasadas e sem os serviços básicos funcionando.

O que faz o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu? Nesta quarta-feira ele disse que “é inútil discutir o dia seguinte enquanto o Hamas permanecer no poder”, que “não há substituto para a vitória militar”. E partiu para mais uma manobra para ganhar tempo voltando à pauta a questão sobre o recrutamento dos jovens religiosos ao serviço militar, de que são isentos. O general Benny Gantz, membro do Gabinete de Guerra que aprovou o projeto, chamado de Lei Haredi (judeus ortodoxos), respondeu que “Israel precisa de soldados, não de truques políticos”.

O jornalista Barak Raviv, do site Axios, da CNN e do portal Walla, israelense, conta que ao alerta do presidente Biden de que um ataque a Rafah violaria a “linha vermelha” de apoio do governo americano, reagiu Netanyahu: “Não somos um estado vassalo dos EUA”.

Os dias de memória dos mortos do Holocausto, dos soldados e agentes de segurança e vítimas de terrorismo, e o dos 76 anos de independência passaram sombrios, com mais manifestações de protesto pela libertação dos reféns e contra o governo Netanyahu, até mesmo nos cemitérios militares.

A guerra continua, hoje no seu 222º dia, com uma barragem de 60 foguetes do Hezbollah contra o norte israelense. As sirenes de ataque aéreo continuam soando nas cidades em que a população foi retirada para o sul do país, há mais de sete meses. Os disparos foram considerados uma reação ao assassinato por drone, na cidade libanesa de Tiro, de Hussein Makki, um comandante regional do Hezbollah, na terça-feira. O Hamas também disparou foguetes contra Sderot, mostrando que ainda tem poder de fogo. Os soldados israelenses encerraram uma ofensiva em Zeitoun, mas o suspense em Rafah prossegue, com combates em subúrbios da cidade e com o êxodo de 450 mil palestinos.

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