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Sequestro do helicóptero no RJ: polícia identifica motorista que levou criminosos até heliponto

Segundo a investigação o profissional foi contratado pelo valor de R$ 100 e não sabia da atividade criminosa

Clara Nery e Yasmin Bachour, da BandNews FM, e Marcus Sadok, do Jornal da Band 22/09/2021 • 11:49 - Atualizado em 22/09/2021 • 20:34

O motorista de transporte que levou os criminosos responsáveis pelo sequestro do helicóptero até o Heliponto da Lagoa, na zona sul do Rio de Janeiro, foi identificado pela Delegacia de Repressão a Ações Criminosas. A identificação acontece após análise das imagens das câmeras de segurança que a Band teve acesso com exclusividade.

No vídeo é possível ver o carro, que foi apreendido, utilizado para levar a dupla parado no estacionamento do heliponto. Os agentes também conseguiram o registro do veículo passando pela Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa. 

Segundo a investigação o profissional foi contratado pelo valor de R$ 100 e não sabia da atividade criminosa. A principal linha de investigação é que membros do Comando Vermelho teriam autorizado o plano de resgate de um preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste, que não deu certo. 

Funcionários do heliponto e o piloto que adoeceu e foi substituído para o voo prestaram depoimento nesta terça-feira (21). As digitais presentes na aeronave já foram recolhidas durante perícia.

A polícia acredita que até três criminosos que fazem parte do Comando Vermelho poderiam ser resgatados por bandidos no helicóptero no complexo de Gericinó.

Os dois criminosos que estavam no helicóptero foram identificados e estão sendo procurados: Marcos Antônio da Silva e Khawan Eduardo Costa. Eles foram flagradas na Lagoa, depois no Recreio onde abasteceram e em Angra dos Reis.

A Polícia também já tem uma pista do suspeito que teria pago cerca de R$ 14 mil pelo serviço que acabou não dando certo.

Imagens mostram movimentação atípica

Imagens do circuito interno do Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó, mostram uma movimentação atípica do preso "Marcinho do Turano", no dia em que um helicóptero foi sequestrado em uma tentativa de resgate de um interno. 

A Polícia Civil apura se os dois criminosos que sequestraram a aeronave pilotada por um agente da corporação queriam tirar Márcio Gomes Medeiros Roque da cadeia.

Neste presídio, ficam detentos que cumprem regime semiaberto, ou seja, que ficam em compartimento coletivo. E nesse presídio, eles saem por volta de 8h30 para tomar café e, depois, ficam livres no pátio onde podem jogar futebol e fazer outras atividades. O retorno para as galerias é entre 16h30 e 17 horas.

Nas imagens, a Seap identificou que Marcinho do Turano e outros presos, que ainda não tiveram a identidade divulgada, atrasaram a volta para as galerias. O circuito mostra os internos entrando de forma mais demorada, enrolando, como se realmente estivessem esperando alguma coisa.

Em outro momento, ainda analisando as imagens, a Seap identifica que o Marcinho do Turano chega a voltar para o pátio, coloca o tênis, olha para as câmeras de segurança e para o alto. E é justamente neste mesmo horário, que o helicóptero pilotado pelo Adonis está fazendo as manobras arriscadas sobre o Batalhão da Polícia Militar, em Bangu. 

Depois de um certo momento, provavelmente ao desconfiar de algo, Marcinho do Turano entra de vez para a galeria.

Não há imagem dos presos no telefone, mas, ontem, durante vistoria da Seap no Vicente Piragibe, foram apreendidos um roteador e cinco celulares, além de grande quantidade de drogas, que estavam justamente no local onde Marcinho ficava com os outros presos.

Os celulares já foram apresentados na Draco, que está investigando o caso. Chama a atenção que todos os aparelhos estavam em perfeito estado de conservação.

Nessa vistoria, ficou decidido que será instalado um novo sistema de defesa para evitar a aproximação de aeronaves. A engenharia da Seap foi acionada para que armações de metal sejam colocadas no campo da unidade, formando uma espécie de tela, para reforçar, ainda mais, a segurança do local e impedir qualquer possibilidade de ocorrer um pouso no local.

Quem é “Marcinho Turano”?

A principal linha de investigação é que membros do Comando Vermelho teriam autorizado o plano de resgate de um preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste, que não deu certo. 

A Polícia aponta o detido Márcio Gomes Medeiros Roque, conhecido como "Marcinho Turano" como suspeito de ser o preso a ser resgatado da cadeia. Ele já foi transferido para Bangu 1.

Ele é apontado pelas autoridades como chefe do tráfico de drogas em várias favelas do Rio de Janeiro, incluindo o Morro do Turano, o Morro da Mineira e o Morro da Paula Ramos. 

Marcinho foi detido pela primeira vez em 1993 e ficou preso entre 2010 e 2015 na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. 

Em 2016 ele voltou ao sistema prisional nacional, após comemorar o resgate de Nicolas Labre Pereira de Jesus, mais conhecido como Fat Family, de dentro do Hospital Souza Aguiar

 

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