Band Rio

22 pessoas mortas em Operação na Vila Cruzeiro

21 das vítimas, de acordo com a polícia, eram suspeitas. Moradora de comunidade vizinha foi atingida por um disparo dentro de casa

Felipe de Moura* 24/05/2022 • 16:38 - Atualizado em 24/05/2022 • 17:46
Uma mulher foi vítima de bala perdida
Uma mulher foi vítima de bala perdida
Reprodução

Até o momento, 22 pessoas morreram em operação na Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio, nesta terça-feira (24). A Polícia Militar afirma que 21 pessoas eram suspeitas. Gabrielle Ferreira da Cunha, de 41 anos, foi vítima de uma bala perdida e morreu dentro de casa, na Chatuba, comunidade vizinha da Vila Cruzeiro.

A polícia afirma que não estava atuando no local na hora em que ela foi atingida e que os tiros teriam partido de bandidos. Gabrielle deixa um filho de 17 anos. 

“Falaram que ela estava na rua, aí foi uma bala perdida”, disse, com semblante de tristeza, Divone Ferreira da Cunha, mãe da Gabrielle.

Sete pessoas, sendo seis suspeitos e um policial civil, ficaram feridas no confronto e estão sendo atendidas no Hospital Getúlio Vargas. Dos sete, quatro estão em estado grave e três estão estáveis. A operação é da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em parceria com o Batalhão de Operações Especiais (BOPE).

“O objetivo da operação é prender os líderes das facções criminosas, assim como seus integrantes. Mas, diante de uma ação de força contra os agentes de segurança pública, faz-se necessário a utilização legal da força do estado para conter essas ações. Aquela região abriga líderes de organizações criminosas responsáveis por mais de 80% das ações criminosas no estado. Como também abriga líderes de outros estados“, disse Rômulo Silva, superintendente da PRF.

De acordo com a Polícia Militar, quando os agentes da PRF e do BOPE começaram a ação, criminosos dispararam da parte alta da comunidade contra os policiais e houve troca de tiros, incluindo em uma área de mata.

Segundo as investigações, lideranças do Comando Vermelho estão escondidas dentro da comunidade. Traficantes do Pará, Bahia, Amazonas e Alagoas também estão sendo procurados na região.

OPERAÇÃO ATRAPALHA COTIDIANO DA COMUNIDADE

Treze escolas na região da Penha fecharam e vão prestar atendimento de forma remota para preservar a segurança dos funcionários e alunos. O protocolo foi ativado devido ao Programa Acesso Mais Seguro, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que atua em unidades escolares localizadas em áreas de risco.

As Clínicas da Família Rodrigo Yamawaki Aguilar Roig, Zilda Arns, Valter Felisbino de Souza Felippe Cardoso e Klebel De Oliveira Rocha também estão com o funcionamento comprometido. A unidades funcionam apenas internamente, sem prestar atendimento ao público.

MPF ABRE INVESTIGAÇÃO PARA APURAR CONDUTA DOS POLICIAIS

O Ministério Público Federal, abriu, nesta terça-feira (24), um procedimento investigatório criminal para apurar as condutas, “eventuais violações a dispositivos legais, as participações e responsabilidades individualizadas de agentes policiais federais durante operação conjunta com o Batalhão de Operações Especiais (Bope)” na Vila Cruzeiro.

Segundo o órgão, o MPF recebeu um ofício da PRF dando ciência da realização da ação policial para eventual cumprimento de mandados de prisão e desarticulação de organização criminosa.

O MPF ainda requeriu, em caráter de urgência, aos superintendentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, informações sobre o efetivo dos agentes que participaram da operação conjunta; a qualificação completa destes agentes; cópia de suas respectivas fichas funcionais; o relatório final da operação realizada na data de hoje; informações detalhadas sobre o cumprimento dos mandados de prisão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Regional Madureira, encaminhando o número da ação penal, do respectivo Inquérito Policial e cópia dos mandados de prisão expedidos; e o local da realização do briefing e cópia da ordem de serviço relacionada a operação policial.

*Estagiário sob supervisão de Natashi Franco