Mulher que tomou "chá emagrecedor" morre após transplante de fígado

Caso aconteceu em São Paulo; Anvisa fez alerta e reafirmou que o produto é proibido no Brasil

da Redação com Agência Brasil 05/02/2022 • 08:14
Liliana Ducatti Lopes, cirurgiã do aparelho digestivo que acompanhou o caso
Liliana Ducatti Lopes, cirurgiã do aparelho digestivo que acompanhou o caso
Reprodução/Instagram

A paciente que havia sido internada no Hospital das Clínicas de São Paulo, na capital paulista, com hepatite fulminante após consumir um chá chamado “50 ervas emagrecedoras”, morreu na madrugada desta quinta-feira (3).  

A mulher de 42 anos, que não tinha nenhum problema de saúde prévio, sofreu uma lesão irreversível no fígado e precisou de um transplante de urgência devido ao consumo do produto. 

A paciente passou por cirurgia e recebeu um novo fígado, mas o órgão transplantado foi rejeitado pelo corpo e ela faleceu.

Anvisa faz alerta

Depois que o caso foi noticiado, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou, por meio de comunicado, que produtos com a marca "50 Ervas Emagrecedor" estão proibidos no país desde 2020, por não estarem regularizados como medicamentos. 

“O produto 50 ERVAS EMAGRECEDOR não pode ser classificado como alimento, ou mesmo como suplemento alimentar, pois contém ingredientes que não são autorizados para o uso em alimentos. Entre esses componentes estão o chapéu-de-couro, cavalinha, douradinha, salsaparrilha, carobinha, sene, dente-de-leão, pau-ferro e centella asiática”, disse a agência.

“A Anvisa publicou duas medidas que proíbem a comercialização, a distribuição, a fabricação, a propaganda e o uso do produto, além de determinar a sua apreensão e inutilização. A primeira delas foi por meio da Resolução RE 4.721, de 18/11/2020, em relação ao produto fabricado pela empresa Pró-Ervas. Já a segunda foi mediante a Resolução RE 903, de 2/3/2021, referente ao produto da empresa Natuviva”, completou.

O órgão ressaltou que qualquer produto com propriedades terapêuticas (com a promessa de emagrecimento, por exemplo) só pode ser comercializado no Brasil com autorização e esse comércio só pode ocorrer em farmácias ou drogarias.

A Anvisa destacou ainda que produtos sem registro não oferecem a garantia de eficácia, segurança e qualidade exigida para produtos sob vigilância sanitária – e, sem esses requisitos mínimos, representam um alto risco de dano e ameaça à saúde das pessoas.

“Desconfie de produtos com promessas milagrosas, que prometem emagrecimento fácil ou qualquer outro tipo de ação de tratamento, cura ou prevenção de doenças. Todo produto com ação terapêutica precisa estar regularizado na Anvisa como medicamento”, concluiu.