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Queimadas no Pantanal mataram mais de 17 milhões de animais

Incêndios de 2020 foram responsáveis pela destruição de 26% da área do bioma

BandNews FM 14/09/2021 • 12:38 - Atualizado em 14/09/2021 • 13:27
Segundo a pesquisa, foram mais de 9 milhões de mortes nas pequenas espécies dos répteis.
Segundo a pesquisa, foram mais de 9 milhões de mortes nas pequenas espécies dos répteis.
Foto: Chico Ribeiro/Governo do Mato Grosso

As queimadas no Pantanal mataram, pelo menos, 17 milhões de animais vertebrados em 2020. O estudo elaborado por universidades, ONGs e órgãos públicos apontou que as cobras foram os animais que mais sofreram, especialmente as aquáticas, que totalizam 60% das vítimas. Segundo a pesquisa, foram mais de 9 milhões de mortes nas pequenas espécies dos répteis.

Os pesquisadores indicam que o número deve ser ainda maior, uma vez que muitos dos animais vivem em tocas ou em pontos ocos de árvore e, portanto, não foram encontrados e contabilizados.

Apesar de o estudo ainda não ter sido publicado em uma revista cientifica, o que validaria a pesquisa, ele já foi submetido a avaliação de outros cientistas e é considerado pioneiro pelo uso da técnica de amostra de distâncias em linhas para calcular mortes de animais em queimadas. Essa técnica funciona com base em uma linha de referência e trilhas em linha reta nos setores afetados. A análise foi feita ao longo de 114km e catalogava os animais mortos de acordo com a coordenada e o ângulo em referência à linha inicial. A identificação era feita em até três dias após o foco de incêndio, mas, em sua maioria, era realizada entre 24 e 48 horas. 

A força-tarefa ocorreu entre agosto e novembro de 2020, ano no qual o bioma registrou a maior devastação de sua história, que resultou no incêndio de 4 milhões de hectares, cerca de 26% da área total. A ação foi composta por pesquisadores da Embrapa, do Instituto Chico Mendes, do Ibama, de três universidades federais, Instituto Smithsonian, além de outras instituições. Os cientistas afirmam que a ação humana colabora para o aumento do tempo de seca na região e, por consequência, maiores focos de fogo.