Fórmula 1

Quem é Guanyu Zhou, primeiro chinês a correr na F1 a partir de 2022

Piloto se tornará o primeiro chinês a correr pela Fórmula 1 na história e trará cerca de 25 milhões de dólares em patrocínios para a Alfa Romeo

Da Redação 17/11/2021 • 11:34 - Atualizado em 17/11/2021 • 16:22
Guanyu Zhou vai estrear na Fórmula 1 em 2022, pela Alfa Romeo
Guanyu Zhou vai estrear na Fórmula 1 em 2022, pela Alfa Romeo
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Quando Guanyu Zhou iniciar a sua primeira volta no Grande Prêmio do Bahrein, em março de 2022, entrará para a história como o primeiro piloto chinês a correr pela Fórmula 1. O anúncio feito pela Alfa Romeo nesta terça-feira (16) se tornou fundamental para o crescimento da categoria no país mais populoso do mundo.

Natural de Shangai, o jovem de 22 anos é a caricatura da nova era da Fórmula 1, que busca aliar talento e mercado. Segundo o diário Blick, da Suíça, Zhou trará patrocínios que reunidos creditarão cerca de 25 milhões de dólares (pouco mais de R$ 136 milhões) e isto certamente pesou na decisão da Alfa Romeo, que chegou a considerar opções mais talentosas e de resultados mais consistentes – como Oscar Piastri, Nyck de Vries e Théo Pourchaire.

Outro fator que pesou na contratação do chinês foi o fato da FIA ter estendido, até 2025, o contrato com o Grande Prêmio da China de Fórmula 1 – que é realizado justamente em Shangai, cidade de natal de Zhou. Isso significa que o mercado para os fabricantes e para a categoria deve crescer, assim como o envolvimento do público.

“Estou muito grato pela ajuda e pelo apoio da Federação Automobilística da China, do Grande Prêmio da China, além de muitos pilotos e fãs chineses. É a cooperação de toda a indústria que pode melhorar continuamente e criar a cultura de corrida de hoje. A conquista de hoje é o esforço conjunto de todos”, disse Zhou em entrevista à agência de notícias Xinhua.

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O impulso financeiro será muito importante para a Alfa Romeo em 2022, com a mudança de regulamento e com a limitação de gastos para as equipes de até 145 milhões de dólares. Será a oportunidade do time de Hinwil se aproximar das grandes escuderias e isso foi ressaltado por Frederic Vasseur, chefe da equipe, em entrevista à Reuters.

“Não foi apenas baseado no fato dele ser chinês, mas será um mega empurrão para a empresa, para patrocinadores e acho que também para a Fórmula 1 em geral. Estamos 200% focados no desempenho da equipe e não temos que esconder o fato de que o orçamento faz parte do desempenho. Além dessas notícias positivas do lado do marketing e do orçamento, podemos ter um piloto capaz de vencer corridas na F2. É uma combinação perfeita”, afirmou.

Por que os patrocinadores acreditam em Zhou?

Esse é o ponto-chave da história de Guanyu Zhou, porque é justamente aqui que os méritos do piloto chinês ficam mais evidentes. Para buscar um melhor desenvolvimento no automobilismo, Zhou deixou a sua cidade natal com 11 anos e foi para o Reino Unido, onde estudou, se formou e conseguiu ingressar na Academia de Pilotos da Ferrari.

Em 2019, quando estreou na Fórmula 2, Zhou conseguiu um excelente contrato com a Academia de Pilotos da Renault (hoje, da Alpine).

A carreira nas categorias inferiores também foi razoavelmente consistente. Com a equipe Prema – que possui um carro de motor Mercedes, mas com problemas sérios de aerodinâmica –, o chinês conseguiu um vice-campeonato da Fórmula 4, um título da Fórmula 3 asiática e dois oitavos lugares da Fórmula 3. Já com a UNI-Virtuosi Racing na Fórmula 2, também um carro extremamente instável e com sérios problemas mecânicos nas temporadas 2019 e 2020, Zhou conseguiu um sétimo e um sexto lugares, e atualmente é o segundo colocado.

A trajetória de muito estudo, dedicação e de relativa consistência faz com que grandes empresários e patrocinadores chineses invistam no futuro de Guanyu Zhou – ao contrário dos também chineses Ma Qinghua e Adderly Fong, que chegaram a ser pilotos de teste na Fórmula 1.

O crescimento de performance na atual temporada é visto como a consagração de um longo período de experiência e por isso é considerado o momento certo para dar “um passo adiante” – no caso, a ida para a Fórmula 1.

“O caminho para a Fórmula 1 é muito difícil, exige muito tempo e esforço, e é por isso que eu acho que a minha ida pode valer mais a pena agora do que se tivesse acontecido anteriormente”, contou Zhou para a Xianhua.  

Ele ainda completou: “Essas dificuldades também me permitiram crescer muito, especialmente no aspecto psicológico e no auto ajuste”.