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Chineses, motores e italianos: a chegada de Guanyu Zhou à Fórmula 1 em cinco tópicos

Emanuel Colombari 16/11/2021 • 12:42
Imagem: Alfa Romeo Racing/Divulgação
Imagem: Alfa Romeo Racing/Divulgação

A Alfa Romeo anunciou nesta terça-feira (16) a contratação de Guanyu Zhou para ser titular do time na temporada 2022 da Fórmula 1.

Zhou substituirá Antonio Giovinazzi na equipe e correrá ao lado de Valtteri Bottas. De quebra, será o primeiro piloto da história da China a ser titular na categoria em mais de 70 anos.

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O anúncio não chega a ser uma surpresa. A saída de Giovinazzi já vinha ganham força, e Zhou era um dos vários nomes cotados para o posto. Ainda assim, o acerto passou por várias nuances que merecem destaque – a ascensão da China no automobilismo, a longa negociação com o novo contratado e o futuro do italiano que perdeu o posto.

Vamos aos tópicos:

Chineses

Zhou é o primeiro chinês a conseguir uma vaga de piloto titular na Fórmula 1, mas poderia não ter sido. A ascensão da China na economia internacional (e, consequentemente, no automobilismo) colocou outros pilotos do país a caminho da F-1 em anos anteriores – mas sem o mesmo sucesso.

Ho-Pin Tung nasceu na Holanda, mas corre sob bandeira da China por causa das origens familiares. Ele chegou a ser piloto de testes da BMW-Sauber (em 2007) e da Renault (em 2010), mas sem conseguir uma promoção.

Já Ma Qinghua integrou o programa de desenvolvimento da HRT em 2012, participando de treinos livres em quatro treinos livres ao longo da temporada. Ele seria titular do time em 2013, mas o fim das atividades da escuderia fez com que Qinghua tivesse que procurar um novo emprego. Em 2013, ele foi para a Caterham, novamente participando de treinos livres, mas com um desempenho pouco animador até para os padrões da equipe malaia.

O aceno a mercados emergentes não é de hoje - basta lembrar a chegada de pilotos de Rússia e Índia na categoria nos últimos anos. No entanto, as vagas no pelotão da frente ainda são mais restritas.

Motores

Segundo o site oficial da Fórmula 1, a prorrogação do vínculo entre Sauber e Alfa Romeo, anunciada em julho, enfraqueceu a parceria entre a equipe e a Ferrari. Para 2022, o time nem sequer anunciou ainda com quais motores irá correr.

A parceria vinha sendo fundamental para a definição de vagas no fim do grid. Antonio Giovinazzi, titular até o fim de 2021, foi anunciado no fim de 2016 como piloto de testes da própria Ferrari, e apareceu no começo de 2017 substituindo Pascal Wehrlein.

Com uma situação mais independente, as unidades de potência da Alfa Romeo para 2022 são incertas. O time pode seguir com a Ferrari, mas o leque segue aberto. Vale lembrar que Guanyu Zhou é parte da academia da Alpine.

Andretti e a concorrência

A Alfa Romeo já sabia, desde o começo de 2021, que Kimi Raikkonen iria se aposentar no fim do ano. Por isso, precisava encontrar um nome experiente para assumir a vaga. Diante das negociações na Mercedes para a contratação de George Russell, Valtteri Bottas veio a calhar.

Sem a obrigação de manter um nome ligado à Ferrari no time, Frederic Vasseur, diretor executivo da Alfa Romeo, saiu em busca de um nome nas categorias de acesso. Nomes como Oscar Piastri, Callum Ilott e Theo Pourchaire chegaram a ser cogitados, mas Guanyu Zhou assumiu a liderança na disputa há alguns meses.

A negociação para que a Andretti comprasse a Sauber quase mudou os planos. Neste caso, Colton Herta assumiria a vaga ao lado de Valtteri Bottas. Por isso, a Alfa Romeo precisou esperar a definição das conversas com os norte-americanos para bater o martelo. Quando o negócio com a Andretti naufragou, o caminho para contratar Zhou estava livre.

Giovinazzi

Antonio Giovinazzi está deixando a Alfa Romeo bastante frustrado – e com uma certa razão. O time não vive seu momento mais competitivo, e ele mesmo somou apenas um dos 11 pontos da equipe até o Grande Prêmio de São Paulo. Mas vem com performances razoáveis, conseguindo o 11º lugar nos GPs de Turquia, EUA e México. Embora não raro seja eliminado ainda no Q1 aos sábados, marcou presença em alguns Q3 – os últimos deles, em Mônaco, Holanda e Itália.

Giovinazzi disse que espera novamente ser visto em um carro de Fórmula 1. A tendência é que ele assuma algum posto na Ferrari em 2022. Mas pode até pintar como uma opção para alguma vaga pontual a partir daí.

Italianos

A saída de Giovinazzi deixa o grid da Fórmula 1 mais uma vez sem italianos, o que se tornou comum nos últimos anos. Antes de sua chegada em 2017, os últimos pilotos do país haviam sido Jarno Trulli e Vitantonio Liuzzi, que correram em 2011 pela Lotus (depois Caterham) e pela HRT, respectivamente.

A situação é incomum, tendo em vista que a Itália tem duas equipes (Ferrari e AlphaTauri) e duas corridas (Ímola e Monza). Mesmo na Fórmula 2, os italianos vêm de fracas representações – Matteo Nannini somou apenas um ponto nas três etapas que correu com a Campos e a HWA, e Alessio Deledda segue zerado mesmo correndo toda a temporada com a HWA.

Emanuel Colombari

Emanuel Colombari é jornalista com experiência em redações desde 2006, com passagens por Gazeta Esportiva, Agora São Paulo, Terra e UOL. Já cobriu kart, Fórmula 3, GT3, Dakar, Sertões, Indy, Stock Car e Fórmula 1. Aqui, compartilha um olhar diferente sobre o que rola na F-1.