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De desonra a possível cúmplice: o que dizem familiares de Lázaro Barbosa

Relatos da família apontam traços de personalidade e podem ajudar em investigação

Da Redação 22/06/2021 • 16:20 - Atualizado em 22/06/2021 • 16:27

Nos 14 dias em que policiais procuram por Lázaro Barbosa de Sousa em cidades de Goiás e do Distrito Federal, poucas foram as oportunidades de aproximação das autoridades com o criminoso, procurado pelas mortes de quatro pessoas da mesma família em Ceilândia. Mesmo assim, foi possível obter versões da família sobre quem seria o serial killer do Distrito Federal.

Pelo menos dois familiares de Lázaro falaram com a imprensa desde o início da caçada: o pai, Edenaldo Barbosa, e uma tia, que teve o nome mantido em sigilo. A investigação ainda teve acesso à casa onde ele morou com a mulher e uma filha na cidade de Águas Lindas de Goiás.

A Band relembra aqui o que o núcleo familiar de Lázaro revelou sobre ele até aqui.

Casa revirada

No dia 17 de junho, o Brasil Urgente teve acesso à última casa onde Lázaro morou com a mulher e uma filha antes de fugir às pressas.

O local estava muito bagunçado. Várias latas de cerveja ainda estavam pelo chão. A louça se espalhava pela cozinha, e até mesmo o fogão era usado para guardar vários itens.

Havia dinheiro em uma janela do imóvel, inclusive moeda estrangeira – em especial, dólar americano e peso argentino.

O quarto estava todo revirado, com roupas e acessórios de mulher e de criança jogados.

"Ele desonrou a minha família"

Passados os primeiros dias da caçada policial, Edenaldo Barbosa demonstrou grande constrangimento a respeito do filho. Segundo ele, os dois passaram anos sem se ver.

“Eu não tenho nada a ver com isso. E tenho vergonha de a população brasileira, a população do mundo, falar que é filho meu”, disse.

Preocupado com os crimes, Edenaldo lamentou o que classificou como “uma desonra” para a família.

“Isso aí é uma desonra. Ele desonrou a minha família, total. Total.”

“Há outras forças agindo neste mundo”

Na última semana, policiais encontraram uma carta escrita à mão em um dos esconderijos usados por Lázaro. O texto trazia referências a trechos do livro “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel”, de J. R. R. Tolkien.

“Muitos que vivem merecem morrer”, começava o texto, escrito em vermelho sobre um papel branco. “Temos de decidir apenas o que fazer com o tempo que é nos dado.”

Mais adiante, Lázaro diz que “há outras forças agindo neste mundo, além da vontade do mal”.

“Não fui eu que peguei a mulher”

Segundo relatou a tia, Lázaro afirmou à mãe que não agiu sozinho em crimes recentes.

“Ele disse para a mãe dele que não estava sozinho, e disse para as pessoas que ele entrou nas casas depois. Ele mesmo, vendo na televisão dizendo: ‘Está vendo aquilo ali? Ali não foi eu sozinho não’”, relatou a familiar.

Ainda de acordo com a tia, Lázaro alega não ser responsável pela morte de Cleonice Marques, de 43 anos. Ela foi uma das quatro pessoas mortas em Ceilândia (DF).

“Não fui eu que peguei a mulher. Quem pegou a mulher foi (sic) os outros”, repetiu a tia.

"Papai está aqui com o mesmo coração para abraçar"

Diferente do tom adotado dias antes, Edenaldo Barbosa deu nova entrevista nesta segunda-feira (21) e disse que gostaria que o filho “se entregasse e voltasse no tempo”, até para evitar mais tragédias.

“Morte, não. Nem para ele, nem para ninguém”, disse.

O pai de Lázaro ainda se mostrou disposto a acolher o filho, desde que sentisse arrependimento real pelos crimes cometidos.

"Se ele vier chorando, pedindo desculpas, pedindo perdão, papai está aqui com o mesmo coração para abraçar, para dar todo o apoio. Mas com arrependimento dentro do coração, dentro da alma."

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