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Infectologista do HC: Retorno às aulas presenciais em SP causa "surpresa e preocupação"

Datena 13/10/2021 • 11:03

Evaldo de Araújo, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, disse nesta quarta-feira (13) à Rádio Bandeirantes que o anúncio do governo do estado sobre o retorno às aulas presenciais causa "surpresa e preocupação", especialmente pela falta de planejamento envolvendo medidas de segurança contra o coronavírus.

Como adiantou a BandNews TV, o governador João Doria deve anunciar, em coletiva nesta tarde, a obrigatoriedade da volta às aulas presenciais na rede estadual para a próxima segunda (18), sem necessidade de distanciamento entre as mesas.

"A gente tem que separar necessidade pedagógica de segurança. Que é necessário o retorno [às aulas presenciais] não há dúvidas. As crianças e os adolescentes precisam aprender e precisam da convivência, porém me causou certa surpresa a maneira. Nós vínhamos com a construção de uma politica de segurança para atender a necessidade pedagógica com segurança sanitária e de repente anunciam esse retorno com reedição do distanciamento e tudo mais", disse.

"Me parece que, na falta de condições de dar uma escola com segurança, legitimam e legalizam a falta de regras. Ou seja, não dá para cumprir tudo que precisa ser feito, então vou fazer um decreto dizendo que não precisa de distanciamento. Vi com muita surpresa e um grau de preocupação. Vamos ver. Sinceramente, tenho algum espanto", completou o infectologista.

Evaldo de Araújo afirmou ainda que, ao mesmo tempo em que o governo do estado deveria preparar uma série de orientações de segurança, poderia trabalhar junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para avançar o processo de vacinação de crianças contra covid-19.

"Não dá para dizer que a situação da pandemia está sob controle. Já falamos em milhares de mortes por dia, agora falamos em centenas. Isso não é 'sob controle'. Sabemos que o vírus precisa se expandir. Ele está se perpetuando na população que não se vacinou, incluindo a população infantil. Ela está mais exposta e vulnerável porque não tem imunidade. Por isso essa situação é estranha. Não sabemos qual será o impacto nas crianças. É difícil imaginar como será, mas deve haver algum impacto."

"O governo de São Paulo errou, se precipitou. Ele tem dinheiro, estratégia, técnicos, então poderia arrumar as escolas, prover equipamentos, trabalhar junto à Anvisa para acelerar a vacinação nas crianças para que todos pudessem voltar com segurança. Estamos em outubro, falta pouco mais de 2 meses para terminar o ano, qual a pressa agora? Por quê não anuncia a volta plena em 2022 e aproveita esse fim de ano para criar um grande pacote de investimento em segurança na educação?".

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