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Paulo Guedes nega conflito de interesses com offshore: "Investimento absolutamente legal"

Na Câmara, ministro da Economia negou ida ao governo por informações privilegiadas e vê "narrativa política"

Da Redação, com BandNews TV 23/11/2021 • 14:01 - Atualizado em 23/11/2021 • 15:07

Paulo Guedes está sendo ouvido por comissões na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, para explicar as movimentações financeiras dele no exterior, por meio de uma offshore. O ministro da Economia reiterou que esse tipo de investimento é absolutamente legal, e falou sobre a origem do patrimônio.

“Fiz muitos investimentos e criei muitas oportunidades empresariais para muita gente[…] Offshore é um veículo de investimento absolutamente legal, decisão pessoal. Por razões sucessórias, se comprar ações de uma empresa, se você tiver uma conta em nome da pessoa física, se você falecer, 46%, 47% é expropriado pelo governo americano. Se você usar um offshore, ou seja, uma companhia que está fora do continente, você pode fazer esse investimento. Se eu morrer, em vez de metade ser apropriada pelo governo americano, isso vai para a sua sucessão. Isso é o que explica colocar um parente”, justificou.

Guedes disse ainda que perdeu dinheiro com o investimento, quando decidiu ir para o governo, e negou conflito de interesses com seu cargo de ministro da Economia.

“O governo Bolsonaro vai muito difícil, muita contestação. Então, o ideal é o senhor desinvestir de tudo o que estava fazendo. Eu desinvesti com enorme prejuízo, ou seja, perdi mais que o valor dessa offshore quando eu abri mão de 8, 9, 10 anos de trabalho", se defendeu, dizendo que todos os valores foram declarados à Receita Federal anualmente.

O ministro disse que a discussão sobre as offshores aconteceu por “narrativa política, covardia e desrespeito aos fatos”.

A polêmica sobre a offshore de Guedes

O vazamento de documentos sobre investimentos em empresas offshore, reveladas pela investigação Pandora Papers feitas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), no início de outubro, atingiu várias personalidades e autoridades pelo mundo, entre eles, Guedes e Roberto Campos Neto, presidente do banco Central, em meio a 330 políticos, empresários e autoridades de 91 países que têm empresas em paraísos fiscais - locais que praticamente não cobram impostos e protegem o sigilo dos clientes.  

O documento indicou que Paulo Guedes, a mulher e a filha têm uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, com saldo de cerca de R$ 51 milhões.  

O Código de Conduta da Administração Federal proíbe funcionários de alto escalão de ter aplicação financeira que possa ser afetada por decisões do governo.